Uma casa de campo de alto padrão costuma ser anunciada do mesmo jeito que um apartamento de dois quartos: 420 m², quatro suítes, terreno de doze mil metros. Números certos, argumento errado.
Quem procura um refúgio na serra não está comprando metragem. Está comprando a manhã de neblina na janela, a lareira acesa às cinco da tarde, o silêncio que a cidade não tem. Nada disso cabe em uma linha de especificação.
E o formato tradicional atrapalha duas vezes: além de não comunicar o que importa, ele coloca o comprador em modo comparação — exatamente o modo em que uma casa singular perde para a planilha.